Para onde vai o quarto poder? III
É curioso observar a guerra ideológica em ação. As pessoas não entendem xongas sobre como de fato as coisas funcionam, mas falam, escrevem, posicionam-se, excitam-se, entram em conflito, rompem relações. Para não parecer pretensioso da minha parte, fique claro que eu não entendo o funcionamento da maioria das coisas, de uma peça do Gerald Thomas ao menu de um telefone celular. Mas, humildemente, tento restringir minhas opiniões sérias às pouquíssimas coisas que mais ou menos compreendo, e para o resto eu reservo um tom jocoso que, espero, indique que não tenho pretensão de ser levado ao pé da letra. No passado recente, só havia intelectuais de esquerda, a não ser que alguém quisesse tirar do sarcófago algum sub-sub Gustavo Corção, 80+, envolto em odor de naftalina. Hoje não, temos uma penca de jovens intelectuais de esquerda e direita, que brigam direta ou indiretamente nos blogs, por exemplo. É verdade que a imprensa cultural mainstream ainda não abriu as portas para os últimos, e, a não ser pelo odd Mainardi, nossos young angry men estão ausentes das páginas impressas, o que é um grande desperdício de talento barato. Mas o que me chama a atenção é como estes jovens (olha, nem sou tão velho assim, juro) debatem temas como liberalismo, indivíduo, social-democracia, etc, quando no brasulsão real os pobres técnicos estão às voltas com problemas singelos como extorquir a cidadania para fechar ralos de dezenas de bilhões de reais de transferências públicas para os ricos. Caro Matamoros, sei que viajei neste post, desviei do assunto em pauta (grave e disseminado erro conversacional), mas era o que tinha a dizer
Para onde vai o quarto poder? II
Há algum tempo eu inventei o "press leftismeter", um instrumento para medir o grau de esquerdismo dos jornalistas. É simples: quanto menos entende de economia, mais esquerdinha é o sujeito. Fora do jornalismo, muita gente que não entende nada de economia não é de esquerda, mas na mídia esse é um termômetro que costuma funcionar bem. Isso explica por que 99% dos jornalistas culturais brasileiros são de esquerda. Como não sabe nada sobre economia, o sujeito que escreve sobre cinema marginal soteropolitano ou sobre arte experimental no Capão Redondo encontra na crueldade do neoliberalismo e na opressão do capital financeiro dois grandes aliados para tornar seus textos mais engajados. Outro sintoma claro do esquerdismo na imprensa cultural é debitar tudo o que há de ruim no mundo, de unha encravada a prisão de ventre, na conta de George W. Bush. Eu também não gosto de Bush, mas suspeito que nem tudo o que ocorre de errado na Terra seja culpa dele ou dos EUA. O Ruy Goiaba já notou, por exemplo, que o Sérgio Dávila acredita que tudo o que acontece nos EUA se deve ao "neoconservadorismo da era Bush" PS: Sim, eu sei que muitos jornalistas econômicos são de esquerda, o que poderia indicar que é falso o princípio de que o sujeito é mais esquerdinha quanto menos entende de economia. Essa objeção é bobagem. Ou você acredita que jornalista econômico no Brasil entende de economia?
Para onde vai o quarto poder?
Às vezes eu me pergunto se a imprensa faz o jogo da direita ou da esquerda. A minha impressão geral é de que, no seu conjunto, e com óbvias variações de órgão para órgão, ela pende mais para a direita. 90% dos jornalistas são de esquerda, mas os donos são de direita, e os chefes vão ficando de direita à medida que vão ficando chefes. A resultante é um rebanho de má vontade tangido numa direção que o contraria por vigilantes e ferozes cães pastores. Mas não é uma conclusão de quatro costados. Na parte cultural, por exemplo, tenho a impressão de que a mídia é quase inteiramente dominada pela cabeça de esquerdinha. Assim, pragmaticamente, na luta política do dia a dia, a imprensa avança as causas da direita, mas num sentido mais amplo, da guerra cultural, da hegemonia gramsciana, ela joga para a esquerda. Mas será mesmo? Eu ainda estou na dúvida. Na verdade, só tem uma coisa que eu acho líquida e certa nesta discussão: todo esquerdista acha que a mídia faz o jogo da direita, e todo direitista acha que a mídia faz o jogo da esquerda. Quanto a isto, não tenho a menor dúvida
Pseudando V
Graaaaaaaaande Anacleto. Isto encerra este debate filosófico, e podemos voltar aos nossos temas habituais: futebol, carro e mulher
Pseudando IV
Mesmo sendo agnóstico, eu sempre segui o conselho do pouco conhecido filósofo Anacleto de Avignon: "Goza calado e sofre em voz alta, para que o justo se apiede de tua dor e o ímpio não inveje teu prazer"
Pseudando III
Me parece a mesma coisa. Os deuses vão arrancando os doces do epicurinho que deu azar com o destino. Quando ele pára de chorar vira um estóico
Pseudando II
Sei não, Arranhaponte. Para mim, abstinência é destino
Pseudando
Todos nascemos epicuristas. O estoicismo é uma imposição dos fatos
As grandes epidemias de nossa época II
Se stress matasse, vacas, baianos e funcionários públicos seriam imortais. Pensando bem, talvez sejam, e eu nunca tenha percebido, de tão estressado que ando
As grandes epidemias de nossa época
Aids? Gripe aviária? Que nada. A virose e o stress são as grandes epidemias deste começo de século. Vá a qualquer médico de convênio e diga que você tem algum problema intestinal ou está com febre. O diagnóstico é fácil: virose. Se o problema é no estômago ou na coluna, é fácil: stress. E essas chagas do mundo moderno muitas vezes atuam em dupla. Se você está com stress, a sua resistência diminui e pronto: acaba pegando uma virose. O stress parece especialmente perigoso e traiçoeiro, porque pode justificar de problema gástrico a traumatismo craniano - afinal, se o sujeito atingido pela bigorna estivesse menos tenso, não estaria tão avoado e teria escapado do objeto que lhe amassou os cornos. Sempre que tenho que recorrer a um médico de convênio e me deparo com esse tipo de diagnóstico sutil e inteligente, eu começo a torcer fervorosamente para que chegue o dia em que o último médico seja enforcado nas tripas do último advogado
Em defesa do argumento rasteiro II
A resposta ácida é realmente a melhor a estratégia para uma polêmica. Em vez da desconstrução de parágrafo por parágrafo do argumento alheio, uma frase ferina é muito mais eficaz, além de ser mais divertida. Essa excessiva seriedade nas discussões em blogs é um pouco entediante, para dizer o mínimo. Acho que, desde que não se xingue a mãe do adversário ou se levantem suspeitas - infundadas - sobre a sexualidade do debatedor, ofensas gratuitas têm um charme irresistível. É o caso da famosa discussão entre Churchill e Lady Astor. "Sir, you are drunk", disse Lady Astor, ao que Churchill respondeu: "Yes, madam, I am drunk, but tomorrow I will be sober, and you will still be ugly". Um professor meu também usou tática semelhante ao ser questionado duramente por uma colega. Na discussão, ela passou vários minutos desmontando cada argumento dele, reclamando ainda que ele dissera um palavrão. "Que coisa horrorosa", se indignou a bruaca. O meu antigo mestre não teve dúvidas, lançando mão de um raciocínio sofisticado para encerrar a questão: "Você não entendeu nada do que eu disse, e horrorosa é você". Assim não fica mais divertido?
Em defesa do argumento rasteiro
Percorrendo as caixas de comentário de blogs variegados, detectei uma preocupante tendência argumentativa de picotar o texto adversário em pedacinhos e, meticulosamente, tentar desmontá-lo ponto por ponto. Puta que pariu, que coisa chata! Proponho que passemos a valorizar mais o argumento rasteiro, espirituoso, que de forma lacônica e concisa ridiculariza o adversário, quase que independentemente do mérito da questão. Por paradoxal que seja, acho que as discussões nos blogs ganhariam muito em clareza e objetividade, além de ficarem mais divertidas. Vocês dirão que eu pirei ou estou de sacanagem. Nem uma coisa nem outra. A discussão ultra-detalhista é indicada para textos acadêmicos, nas quais todas as partes envolvidas conferem todos os dados, que ademais já foram esmerilhados quanto à veracidade científica por dezenas de outros especialistas. Nos blogs, este tipo de abordagem só produz um labirinto confuso de versões que ninguém de fato vai checar um dia - é a entropia do debate. Por outro lado, o bon mot, o comentário ferino, mesmo que tergiverse em relação aos dados objetivos da discussão, tende a captar instantaneamente himalaias de bom-senso e realismo que a verborragia raramente alcança. Me lembro vagamente de um filme no qual a Isabelle Adjani era amante de um inglês e a Vanessa Redgrave a esposa. Num dia, em que a bahiana rodou, e a Vanessa Redgrave disse uma porção de verdades sobre a piranhagem da Isabelle Adjani, esta respondeu com um único e demolidor argumento: "É, mas os seus pés são grandes". Acho que este deve ser o espírito dos debates na blogosfera
Pelo fim do acaju II
Eu imagino que a sua proposta inclua a pena de morte com suplício para quem implanta cabelo. Ou a gente vai deixar o senador Álvaro Dias escapar ileso desta campanha estético-moralizadora? O Fagner é outro que seria enquadrado no artigo sobre pintura de cabelo pura e simples. Em recente entrevista à Veja, ele confessou o crime, sem um pingo de pudor, e sem nem ao menos considerar que a revista circula de mão em mão nas famílias, sendo lida por pré-adolescentes inocentes e impressionáveis, por velhinhas pudicas etc. Eu acho que, expandindo as suas idéias para uma diretriz de política pública mais ampla, que batizaria de "criminalização do grotesco", poderíamos proibir os nomes esdrúxulos no Legislativo, o que teria evitado, por exemplo, o escândalo da compra de votos pelo FHC, protagonizado por um certo Ronivon Santiago. Seria o fim dos babás, turcoloucos, pauderneys, etc. Nem todo picareta tem nome esdrúxulo (lembre-se dos zés, antonios, etc), mas todo nome esdrúxulo abriga um picareta
Pelo fim do acaju
Eu sempre fui um humanista. Perdi a conta das vezes em que discuti com meu pai sobre a pena de morte, atacando a idéia com veemência. Nos últimos tempos, porém, cheguei à conclusão de que a pena capital pode e deve ser adotada como punição para um tipo de criminoso hediondo: o homem que pinta o cabelo, principalmente se a tintura escolhida for o acaju. Confesso que hesitei antes de tornar a idéia pública. Estaria eu propondo uma medida muito radical e desproporcional ao crime cometido? Bastaram alguns minutos de transmissão de uma das sessões do Senado para perceber que a proposta é não apenas sensata como indispensável. A imagem do senador José Agripino Maia vale mais do que mil palavras. Se você não se convenceu, veja esta foto do Jáder Barbalho. Pela minha experiência, a maior parte dos sujeitos que pinta o cabelo não é confiável, para dizer o mínimo, e uma parcela razoável é formada por escroques mesmo. Eu sei o que muita gente vai dizer: "Ah, mas eu tenho um tio tão bonzinho que pinta o cabelo". Eu também tenho, e nem por isso vou desistir do projeto. Livrar o mundo das cabeleiras tingidas é uma bandeira pela qual vale a pena lutar. Eu me sinto tentado inclusive a usar o argumento de meu pai em favor da pena de morte. Quando eu digo a ele que existe o risco de se matar um inocente, ele rebate com ênfase: se você matar 1.000 inocentes para cada culpado, ainda assim a pena de morte terá cumprido sua função! Não vou tão longe como meu pai, mas acho que a eliminação de um ou outro bonachão com o cabelo acaju não é suficiente para tornar menos tentadora a perspectiva de um mundo capilarmente mais bonito, sem agripinos nem barbalhos
Baixando a crista II
Para quem, como nós, pensava estar na vanguarda do achincalhe ao Brasil, o site mostrou que realmente temos muito a melhorar. Mas ninguém poderá dizer que este não é um blog tipicamente brasileiro. Como em quase todas as atividades no Grande Paraguai, alguém de fora faz melhor o que deveria ser a nossa especialidade. Que pelo menos o nível de esculhambação do site nos sirva como referência
Baixando a crista
Caro leitor, vínhamos o Matamoros e eu em um crescendo de euforia, com o que julgávamos ser a nossa capacidade ímpar de denegrir a imagem do Brasil, quando tropeçamos com este site, que, é duro admitir, nos fez entender o quão árduo e longo é o caminho da excelência. Refestelem-se e divirtam-se, e não se esqueçam de percorrer as várias páginas PS: Só uma traduçãozinha de tira-gosto: Imagine um país no qual os criminosos mais perigosos são aqueles que supostamente devem protegê-lo; um lugar no qual você é sempre o prisioneiro? Seria o Inferno? Quase. É o Brasil, onde as pessoas mais perigosas são os policiais, qualquer um que jamais tenha sido um policial, e qualquer um que jamais tenha pensado em ser um policial - para não mencionar os policiais de folga. Em abril de 1997, 17 policiais foram a julgamento pelo massacre de 21 moradores de uma favela no Rio. O crime das vítimas? morar num bairro onde alguns policiais foram mortos.
É preciso pensar grande III
Só para os leitores não acharem que temos alguma implicância especial com cucarachos e africanos, é preciso dizer que preparamos também um post demolidor sobre uma hipotética zona de livre comércio islâmica (por favor, amigos com criatividade e tempo, bolem uma sigla gozada). Depois de alguma reflexão, entretanto, concluímos que ser engraçadinho é muito divertido, mas vale menos do que preservar a integridade física das nossas gargantas
É preciso pensar grande II
O Mercoguai só não reinaria absoluto no mundo da contravenção, do crime organizado e da pirataria devido à concorrência do bloco africano (o nome poderia seria algo como Allblack ou Afta - African Free Trade Area). Se bem que, com a experiência de Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai, o Mercoguai tenderia a ganhar fácil dos africanos em termos de contrabando e falsificações em geral. Mas é necessário reconhecer as vantagens comparativas dos nossos afroconcorrentes em áreas como o mau uso do dinheiro de instituições multilaterais e nas mutilações corporais em massa. O genocídio caiu em desuso na América Latina, mas continua na moda no continente de Ruanda, Serra Leoa, Libéria e Moçambique (como eu estou esquecendo de muita gente, quem quiser pode ajudar a aumentar a lista). Imagino também as exigências para entrar no Allblack. Em vez de um teto para o déficit fiscal, como na União Européia, eles tendem a adotar um piso percentual para a população adulta com aids. Quem tiver menos de 18% dos adultos sem aids não entra. Como se sabe, é necessário algum tipo de harmonização quando se criam blocos econômicos
É preciso pensar grande
Espero que o Paraguai nos aceite. Lembre-se de que o país é bilíngüe e tem um salário mínimo de duzentos dólares. Mar não é tudo nesta vida. Mas, já que este é o assunto em pauta, permita-me apresentar mais um projeto visionário, o Mercoguai. Seria a ruptura definitiva dos países do Cone Sul com o cepalismo cripto-marxista que tanto refreou o progresso neste nosso canto do mundo. O Mercoguai seria um bloco de livre-comércio radical, para Milton Friedman nenhum botar defeito. A primeira providência seria mudar o nome dos países do Mercosul. O Brasil vira Grande Paraguai, o Paraguai muda para Pequeno Paraguai (ver posts abaixo), a Argentina será o Paraguai Platino e o Uruguai o Paraguai Cisplatino. No Mercoguai serão totalmente liberalizados o contrabando, a falsificação, o roubo de propriedade intelectual e veículos, as fraudes em geral, a corrupção e o tráfico de drogas, armas e mulheres. O bloco pode evoluir para a união monetária, adotando como moeda o dólar falsificado. No futuro, podemos pensar numa unificação política, para formar o Paraguai-açu. A capital, naturalmente, será Ciudad del Este. As línguas oficiais serão o portunhol e o guarani, e o herói nacional Solano López. A Bolívia pode ser admitida se for preciso aumentar as exportações de altíssimo valor agregado. Mas se nem o Mercoguai dinamizar a economia da região, só nos restará a medida radical de declarar nossa anexação unilateral pela China
Pirataria no grande Paraguai III
Lula poderia aproveitar a polêmica com o Paraguai sobre a origem do foco de febre aftosa e tomar uma decisão histórica: entregar voluntariamente a soberania ao país guarani. Essa nossa pretensão de seriedade, de querer liderar a América Latina, não combina com o Brasil. Nossa verdadeira vocação é ser um Paraguai com dimensões continentais. Para que lutar contra o destino? Nós deveríamos aceitá-lo alegremente. É verdade que há o risco de o Paraguai não concordar com a idéia. Nós temos pouco a oferecer, mas pelo menos o enorme litoral deve sensibilizá-los. Uma saída para o mar é o sonho paraguaio há anos. Lula poderia entrar para a história se encampasse esse projeto. E eu ficaria feliz. Afinal, eu sonho há tempos com o meu passaporte paraguaio
Pirataria no Grande Paraguai II
Você diria que os pequenos paraguaios contrabandearam vacas com aftosa para o Grande Paraguai porque, impossibilitados de falsificar um bovino, optaram pela aproximação mais honesta possível que não atentasse contra a trade-mark do país guarani? A idéia seria: se não dá para falsificar, pelo menos vai avariado, para não acostumar mal o cliente
Pirataria no grande Paraguai
O combate à pirataria é uma prioridade do governo, como sabe qualquer sujeito que ande pela Avenida Paulista ou pelo centro de São Paulo. Os camelôs vendem apenas CDs e DVDs originais e, tenho certeza, pagam impostos em dia. Para mostrar seu empenho nessa luta, o governo emitiu há alguns dias mais um sinal de que reduzir a pirataria é realmente prioridade. Num vôo recente no aerolula, o Guia Genial viu uma cópia falsificada do bergmaniano 2 Filhos de Francisco. Quem duvidava que o governo fazia o possível para reprimir a pirataria ficou sem argumentos depois dessa história. O episódio deixa claro que, com um pouco de esforço, nós conseguiremos atingir o nivel de sofisticação de um país que deveria ser nosso modelo. É claro que eu estou falando do Paraguai. Um país em que o carro de um presidente era um BMW roubado no Brasil não está para brincadeiras. A gente ainda chega lá
Sim, roubamos, e daí? V
É, parece que a fraude está se tornando onipresente no Brasil, invadindo os momentos mais íntimos da população. Nem o prazer solitário escapa da corrupção generalizada. É por isto que eu acho inoportuna esta discussão sobre reforma política. Não faz sentido querer moralizar partidos e campanhas eleitorais antes que a pureza de instituições muito mais básicas, como a bunda da morena do Tchan e as honestas punhetas dela decorrentes, seja restaurada. Proponho um slogan para uma campanha moralizadora que não coloque o carro na frente dos bois: "Vamos limpar a bunda em primeiro lugar". Fica a sugestão para o Guia Genial, que, em declarações recentes , mostrou-se sensível a temas pertinentes ao WC
Sim, roubamos, e daí? IV
O problema da corrupção no concurso da morena do É o tchan é mais grave do que se imagina. Afinal, se há armação na edição atual, quem pode garantir que também não houve picaretagem nas anteriores? Parece irrelevante, mas e se a Scheila Carvalho, por exemplo, foi escolhida num concurso viciado? Acho que muitos brasileiros prestaram homenagens a ela na suposição de que Scheila Carvalho é uma gostosa honesta, que venceu um concurso difícil por seus próprios méritos. Se houve corrupção na escolha de Scheila, um bando de masturbadores éticos pode ter comprado gato por lebre. Esses caras vão reclamar no Procon? Eles vão ficar de mãos vazias PS: Isso mostra que fazer justiça com as próprias mãos não é mesmo um bom negócio
Sim, roubamos, e daí? III
Caraca, este bundogate é gravíssimo! Eu, que acompanho atentamente a cena cultural brasileira, não tinha ouvido falar disto. Ia fazer um post dizendo que comentaristas como o Arnaldo Jabor exageram quando descrevem a crise moral no Brasil com tintas dantescas, mas percebo agora que, de fato, Sodoma e Gomorra são aqui (e que nossa Sodoma tem pés de barro). E incrível mesmo é o silêncio dos intelectuais diante deste escândalo. Durante décadas, nossa identidade nacional foi construída em torno da bunda, graças à pesquisa seminal de Gilberto Freyre, e agora que a idoneidade dos nossos mais decantados traseiros está em questão, não ouço um pio de todos aqueles que nos venderam a ilusão de que rebolando chegaríamos lá. Aguardo o fascinante artigo do Roberto da Matta sobre a questão PS (meia hora depois): Pensando bem, mais valeria dizer que nossa Sodoma tem bundas de barro, opss
Sim, roubamos, e daí? II
Eu sempre condenei a visão de que o brasileiro é mais corrupto ou mais ladrão do que os outros povos. Estereótipo auto-depreciativo que não leva a nada, pensava eu. Por que condenar a priori um povo alegre e brincalhão, malandro e malemolente, como cleptomaníaco? Um acontecimento recente, porém, mostrou que eu estava errado. Não, não estou falando do mensalão ou de qualquer outro escândalo político. Na semana passada, num desses programas de auditório de alto nível intelectual, descobri que nem mesmo uma das instituições brasileiras mais respeitadas é imune à corrupção. Para quem não sabe, o concurso para a morena do É o tchan está sob suspeita de ser um jogo de cartas marcadas. Eu confesso que fiquei chocado. Como ficam as ilusões de milhares de gostosas brasileiras, que têm em concursos como esse a sua única esperança de melhorar de vida e de mostrar o que têm de melhor? Você diz que uma Justiça eficaz pode reduzir o impacto negativo sobre a economia da cleptomania do brasileiro. Mas como confiar nos Judiciário de um país em que até mesmo juízes do concurso da morena do É o tchan estão sob suspeita? Senhores, a crise é realmente grave
Sim, roubamos, e daí?
Me incomoda um pouco a fúria moralista com a qual os muitos roubinhos, roubos, roubões, roubaços e roubadas que têm lugar cotidianamente na mãe-gentil são tratados pela mídia, intelectuais, etc. Tá certo, roubar é feio, ninguém contesta isto. Mas quão feio é? Que alma latina, por exemplo, condenaria o gol de mão do Maradona na Copa do Mundo, contra a Inglaterra - um roubo lato sensu? Quando eu era adolescente, era comum bandos de amigos, todos de classe média, entrarem nas lojas de conveniência bem mais acanhadas de então para a excitante experiência de cometer pequenos furtos, uma chave de fenda aqui, um adesivo acolá. Conheci muitos casos de jovens turistas na Europa, naquelas excursões vapt-vupt pelas principais capitais, passando a noite no xilindró por tentativa de roubo em lojas de departamento. Restrinjo-me a uma classe social, porque não quero me alongar, mas não me venha com a lengalenga de que a elite é ladra e o povo honesto - você larga seus objetos pessoais em cima da mesa e vai dar uma volta em ambientes populares? Meu ponto é: somos cleptomaníacos, o que obviamente traz problemas para o desenvolvimento sócio-econômico, mas pode ser mitigado por uma Justiça eficaz. Mas não considero aquela característica tão horripilante quanto nossa intelligentsia faz crer. Por exemplo, os alemães têm fama de mais honestos do que a média do povos, mas perpetraram o Holocausto. Não é melhor ser um povo cleptomaníaco do que genocida?
Amazônia: modestas propostas VI
A Amazônia também ocupa uma parcela do território da Venezuela. O comandante Hugo Chávez poderia aproveitar e vender também a parte deles. Com o dinheiro do petróleo e o da venda da Amazônia, ele poderia acelerar a revolução bolivariana e mandar mais uma grana para ajudar o titio Fidel. Deixo a sugestão para a diplomacia venezuelana, como prova de boa vontade com o país vizinho PS: Quando eu vejo o tocador de maraca em ação, com atitudes maduras e sensatas como a que você mencionou, lembro que tudo é realmente relativo. Perto dele, o Guia Genial é quase um estadista
Amazônia: modestas propostas V
Quá quá quá! Genial, Matamoros. E veja só o que é a mesquinharia da ordem financeirizada da globalização neoliberal. Três gostosas já seriam consideradas "muitas" pelos ianomâmis, e nem assim a secretaria do Tesouro liberou a verba. Não é à toa que o Chávez taí mandando a Alca "al carajo!"
Amazônia: modestas propostas IV
O irônico é que teria sido muito mais fácil agradar os ianomâmis do que o governo imaginou. Acho que desperdiçaram 94 mil quilômetros quadrados de território amazônico. Na verdade, não seria necessário nem mesmo arrumar meia dúzia de gostosas. Como sabem contar apenas "um, dois e muitos", três gostosas ou seis gostosas dariam no mesmo
Amazônia: modestas propostas III
Você levantou a questão ianomâmi, parte importante do projeto de venda da Amazônia. As vantagens da venda, do ponto de vista ianomâmico, seriam as seguintes: 1) Eles poderiam abrir cassinos, como os índios americanos, enriquecer e aburguesar. Com o fim da caça, e a introdução de pesque-pagues, a fauna terrestre e fluvial seria preservada 2) Com o aprendizado de inglês, à medida que a incorporação fosse se enraizando, as portas de Hollywood se abririam aos ianomâmis. Seria o ocaso do pele-vermelha clássico, que, sem o borogodó equatorial, e muito menos o instinto selvagem intacto, não teria como competir com nossa turma do apito (não estou me referindo à máfia dos juízes de futebol)3) Os ianomâmis se vingariam do governo brasileiro, que os ludibriou ao demarcar a república ianomâmi independente com quatrilhões de metros quadrados. Tem muito direitista raivoso criticando o fato de que 'um grande pedaço do território brasileiro' teria sido dado aos índios. Pois eu acho que os ianomâmis levaram gato por lebre, ou bagre por pirarucu. Eles achavam que, com aquela terra toda, viria pelo menos uma meia dúzia de gostosas dançando pagode. E tudo o que encontraram foi mato, outros índios e bicho. Nem mesmo uma miçanguinha de brinde o governo deu, por causa, como sempre, do maldito superávit primário
Amazônia: modestas propostas II
Vender a Amazônia é uma grande idéia. Se bem trabalhada pelos marqueteiros, terá o apoio da elite e das massas. O slogan me parece óbvio: "A Amazônia é deles". Honestamente, eu consigo pensar apenas em argumentos a favor da venda. Sem ter de cuidar de um território tão grande e tão inóspito, algo muito além de nossa competência, o Brasil poderá desenvolver plenamente suas potencialidades, que não são das mais brilhantes. Eu vejo três grandes vantagens na venda da Amazônia: 1) Com o uso integral do dinheiro da venda para reduzir a dívida pública, os juros cairiam mais rápido 2) O número de deputados e senadores diminuiria. Se a venda incluir todo o território do Pará, Jáder Barbalho se tornaria imediatamente estrangeiro. Sem mencionar que Hildebrando "serra pessoas" Paschoal também seria gringo 3) Os ianomâmis deixariam de fazer parte do Brasil. Com isso, o chatíssimo assunto "república ianomâmi" não seria mais um problema brasileiro, o que não é pouca coisa. Os ianomâmis, pelo pouco que sei sobre os costumes do povo, têm uma noção de matemática bastante sofisticada, contando "um, dois e muitos" Como se vê, há argumentos econômicos, políticos e étnicos para o projeto. Quem sabe esse não é um bom tema para um plebiscito em 2006?
Amazônia: modestas propostas
A humildade de reconhecer os próprios erros e limites, como ensinam as grande religões e os livros de auto-ajuda, é fundamental para o crescimento espiritual do homem, como ser individual, e dos povos e Nações. Então vamos falar sério. Enquanto a Amazônia for brasileira, o churrasquinho de mata não vai parar. Não está na nossa natureza vigiar e punir. Se, como Nação, só conseguimos resolver - isto é, elucidar e condenar os responsáveis – uma ínfima parcela de 3% dos assassinatos, como esperar que cuidemos de árvores que nem ao menos têm familiares chorosos cobrando ação enérgica da Justiça? É por isto que devemos vender a Amazônia aos Estados Unidos. Não acho que seja garantia de que a Amazônia não continuará a crepitar. Os americanos estão longe de ser ecologicamente perfeitos. Mas penso que as perspectivas em geral melhorariam para plantas, bichos e curumins. E por que não vender para os europeus, vocês devem estar se perguntando. Sondagens iniciais, conduzidas por mim mesmo, indicam que o preço máximo que os velho-mundistas unhas-de-fome pagariam seria ridículo. Entre as principais vantagens de se vender a Amazônia, eu citaria apenas três inicialmente, para lançar o debate: 1) Poderíamos passar no free-shop na volta de viagens turísticas à região 2) Seriam validados os livros escolares americanos, que mostram o Brasil sem a Amazônia. O custo para o governo americano de reimprimir dezenas de milhões de livro, caso a Amazônia não fosse vendida, pode ser aduzido ao preço 3) A Zona Franca seria extinta, o que significaria uma poupança de bilhões de reais em subsídios para o governo brasileiro PS: Uma proposta alternativa seria a de concretar a Amazônia, para construir a maior pista de skate do mundo. O projeto, obviamente, ficaria a cargo do nosso concretador-mor, Oscar "me gusta Stalin" Niemeyer
O havanoduto XII
Você não está preparado para entender o Sader. Estes incidentes aos quais você se referiu, matançazinhas aqui e acolá (lembre-se do general Westmoreland, os orientais dão menos valor à vida que os ocidentais), no fragor da luta revolucionária, são justamente os comportamentos que significam o abandono dos valores de esquerda e a adoção dos métodos da direita. Funciona assim: Stalin era de direita enquanto massacrava milhões, esmagava outros povos, etc, e era de esquerda quando consolidava o sistema socialista na União Soviética e satélites. Uma coisa nada tem a ver com a outra, é claro. O mesmo pode ser dito do Mao, e se você vasculhar com cuidado, o Pol Pot deve ter feito alguma coisinha boa, um negocinho de esquerda qualquer. Você brigou com a mulher? Comportamento de direita. Reconciliou-se? Esquerda, parabéns! Você esquece que a esquerda é humana, e portanto está sujeita a ser desumana. Tá confuso? Não acho. Só não entende quem é de direita P.S.: Argumento definitivo contra o Mangabeira: ele tem sido elogiado pelo Caetano Veloso
O havanoduto XI
Emir Sader, sempre esse homem fatal! Não podemos deixá-lo de lado, você está certo. Olavo de Carvalho e Mangabeira Unger têm pelo menos a desculpa de serem inimputáveis, ressalva que não cabe a Sader. Seus artigos são curiosos. De um texto publicado na Folha no mês passado, escolhi este trecho para mostrar o mundo em que vive o brilhante professor: "Tenta-se desqualificar o arcabouço histórico da esquerda, responsável pelos melhores momentos da história da humanidade, em nome de comportamentos que significaram o abandono desses valores e a adoção de métodos e políticas de direita". É difícil discordar de Sader quando ele diz que a esquerda é responsável pelos melhores momentos da história da humanidade, principalmente se você for genocida. A URSS de Stálin, a China de Mao e o Camboja de Pol Pot são de fato alguns dos capítulos mais belos da história da humanidade. Sader também é fã da Cuba de Fidel Castro e da Venezuela de Hugo Chávez. Ouvi dizer que, em sala de aula, ele tem dificuldade de se equilibrar nas patas de trás, mas isso me parece maldade de direitistas raivosos
O havanoduto X
Vou defender o Olavo. Acho que, devidamente medicado, ele faz críticas instigantes ao esquerdismo miolo-mole, que podem ser extraídas com picareta, dinamite e outros artefatos da pedra bruta do seu delírio. O Mangabeira numa mesa de bar talvez entretenha, embora algo me diga que ele é do tipo verborrágico que fica com aquele cuspinho seco no canto dos lábios. Mas não devemos esquecer o Emir Sader. Em defesa dos dois primeiros, é importante dizer que o Sader está muitos furos abaixo, intelectualmente falando. Como não estou aqui para ofender ninguém, não vou colocá-lo na categoria de 'besta imitigada', mas acho que os leitores percebem onde quero chegar
O havanoduto IX
Olavo de Carvalho e Mangabeira Unger têm muito em comum, mas eu me vejo forçado a fazer justiça com o primeiro. Olavo é muito mais engraçado. Os seus textos pelo menos são divertidos. Os de Mangabeira Unger, embora também sejam lunáticos, são apenas enfadonhos. Tentei selecionar algum trecho de seus artigos para publicar por aqui, mas decidi não fazê-lo, para não afugentar nossos 3,5 leitores. Mas reconheço que o Mangabeira é divertido quando fala. O seu sotaque compete com o do Henry Sobel. A questão é que o ex-guru do Ciro Gomes é brasileiro
O havanoduto VIII
É por esta e por outras que eu venero o FMI. Uma instituição que atrai simultaneamente o ódio do Emir Sader e do Olavo de Carvalho (o Mangabão também deve ter ojeriza) não pode ser de todo má. E abaixo, uma citação pela qual tenho um carinho todo particular, vintage Olavo: "É com a finalidade de legitimar esse brutal engano que o discurso corrente dos homens de esquerda contra o FMI e a Nova Ordem Mundial apresenta estes dois fenômenos como se fossem a quintessência do liberal-capitalismo e não, precisamente ao contrário - como o demonstra a história - invenções puramente socialistas destinadas a estrangular, junto com a liberdade econômica, a liberdade política no mundo." Tecnocratas de Washington/Unidos/Jamais serão vencidos!
O havanoduto VII
Eu reconheço que Olavo de Carvalho tem seus bons momentos. Como humorista, ele é quase insuperável. Em 2002, Olavo escreveu que "o poder avassalador da esquerda norte-americana, que hoje torna os EUA o maior centro difusor da revolução marxista no mundo, permanece completamente ignorado entre nós". Eu confesso que não tinha percebido. Acho que ele poderia tentar uma vaga no Programa do Didi e, quem sabe, ajudar a ressuscitar a carreira de Renato Aragão. Outra possibilidade seria Olavo se arriscar nos próprios EUA, onde vive hoje, como stand up comedian. Eu adoraria vê-lo em ação, alertando os americanos do perigo vermelho que toma conta do país. Em pouco tempo, seria um sucesso nacional, dando entrevistas semanais ao David Letterman
O havanoduto VI
Discordo em relação ao Olavo, meu caro. Lembre-se de que o sábio foi o primeiro a denunciar – com antevisão astrológica - que o FMI era comunista, o que ficou provado com o apoio dado ao governo Lula, o principal agente da revolução a soldo do Foro de São Paulo
O havanoduto V
Eu sempre fico na dúvida se o Mangabeira Unger é o Olavo de Carvalho da esquerda ou se o Olavo de Carvalho é o Mangabeira Unger da direita. Afinal, tirando as diferenças ideológicas, os dois têm muito em comum. Se não fosse a idéia em voga de que o melhor tratamento para a saúde mental é integrar os loucos à sociedade, os dois estariam trocando figurinhas no Pinel ou no Juqueri há um bom tempo
O havanoduto IV
Harvard tem um catedrático especialista no estudo da abdução, aquele papo de que os ETs te hipnotizam na estrada e te levam lá para o planeta deles para estudos aprofundados, e depois te mandam de volta. Não expulsam o cara (ou não expulsaram até a época do documentário que vi a respeito) pela questão politicamente correta de respeitar as diversas correntes de opinião. Tá certo, acreditar em abdução é pinto perto dos delírios do Mangaba (que, para o Ciro, é o que a minha vovozinha chamava de 'as más companhias'), mas pelo menos explica até certo ponto a receptividade de Harvard aos nossos mestres jabuticabais. E acho que o Goiabeira e o o Dr. Abduction fariam uma boa tabelinha. Este encomendaria a abdução daquele, que talvez encontrasse maior receptividade em Marte para os seus planos. Não acho que o acusariam de falar marciano com sotaque inglês
O havanoduto III
Eu nunca tive dúvidas de que a vida em Cuba não é a coisa mais agradável do mundo, mas o José Dirceu passou o atestado de que a situação por lá está realmente preta. Se for cassado, o companheiro cogita passar um tempo em Harvard. Como conhece Cuba como poucos, em nenhum momento ele pensou em curtir uma temporada na Universidade de Havana. Aliás, essa história de político brasileiro ir para Harvard depois de uma derrota ou de uma cassação vai colocar em risco a reputação da universidade. O Ciro Gomes fez isso uma vez, há alguns anos. Será que uma instituição como Harvard não deveria pensar duas vezes em aceitar o Dirceu? Se bem que eles parecem pouco preocupados com a imagem. Se dessem importância para isso, o Roberto Mangabeira Unger não seria professor por lá há tanto tempo
O havanoduto II
O que mais me revolta, como hermano de los cubanos, é que um pedaço substancial do PIB da nossa ilha, matriz latino-americana da revolução socialista global, tenha sido alocado para bancar as reformas neoliberais do governo Lula, financiadas pelo mensalão do Zé Dirceu. Isto é o que eu chamaria de esculhambação da pós-modernidade. Nem mesmo a subversão é levada a sério
O havanoduto
Depois do ouro de Moscou, os dólares de Cuba. A história é rocambolesca demais e parece realmente fantasiosa, mas de qualquer modo o foco da discussão está errado. Em vez de se cogitar a cassação do registro do PT e o impeachment do Guia Genial, o certo seria exigir o fim do PC cubano e a deposição de Fidel Castro. Afinal, num país miserável como Cuba, que vende o almoço para pagar o jantar, US$ 3 milhões não é uma quantia de se jogar fora. Para ter uma idéia do poderio do tigre caribenho, o país tem reservas de US$ 736 milhões e exportações anuais de US$ 2,1 bilhões. Na pindaíba em que Cuba se encontra, dar US$ 3 milhões para ajudar o companheiro José Dirceu deveria ser motivo suficiente para levar o titio Fidel ao paredón PS: Reflexão cretina, mas irresistível. O código de Cuba na Internet é cu. Acho que não há código mais apropriado para um país do que esse
Nossos Warren Buffetts V
Acho possível. Talvez o abraçado devesse ser o Ministério da Fazenda, com manifestantes gritando "ei ei ei, Joaquim Levy (o secretário do Tesouro) é nosso rei". Por outro lado, a história mostra que apostar no sex-appeal do centrismo é roubada. Veja o caso tão comentado da rivalidade intelectual entre Sartre e Raymond Aron. É claro que o segundo sempre teve razão, mas não o vejo arrastando gostosas nos cafés da Rive Gauche. Sartre, por outro lado, apesar de feio, era inegavelmente charmoso. Este tipo de constatação me leva, inclusive, à tentação de ampliar minha teoria inicial. Talvez o radicalismo só exista, e freqüentemente prevaleça, porque é mais propício à atração do belo sexo. Muitos homens, quando Sartre tinha prestígio, procuravam imitá-lo, segui-lo ou dar novos desdobramentos às suas idéias. As mulheres, enfeitiçadas, iam pelo mesmo caminho. Quando ele defendeu Mao, jovens maoístas multiplicaram-se pelo Ocidente, e fizeram sucesso em festinhas regadas a álcool barato e maconha. Já no Cambodja, embalado pelas mesmas influências, o Pol Pot cometeu genocídio. Provavelmente, a intenção subjacente também era a de fazer pose para as gatinhas. Pensando bem, é provável que a humanidade inteira já tivesse atingido, por volta de 1920, o nível de desenvolvimento humano e de tédio da Escandinávia, se não fosse pelo fato de que o radicalismo é mais sexy
Nossos Warren Buffetts IV
Grande idéia. Imagino um ciclo de ações radicais perpetradas pelos defensores do ajuste estrutural das contas públicas. A ameaça de explosão do prédio da Fiesp se os subsídios ao empresariado reclamão não forem suspensos em uma semana. O assassinato de governadores que não cumprirem a lei de responsabilidade fiscal. O seqüestro de Marilena Chauí e Emir Sader, exigindo como resgate a cobrança na universidade pública de mensalidades dos alunos que podem pagar. Com esse tipo de ação, eu tenho certeza que burocratas cinzentos terão todas as mulheres a seus pés. A outra opção é usar as táticas da esquerda festiva para atraí-las à causa, o que me parece mais difícil. Ou você acha que estudantes de comunicação e psicologia participariam de um abraço à Lagoa, numa manifestação pela queda mais rápida da dívida pública?
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