Quinta-feira, Março 09, 2006

Alçando o nível II

Intelectuais brasileiros (ou que vivem no Brasil, como o Contardo Calligaris) prezam a ilegibilidade. Eu não entendo como o sujeito não se sente ridículo ao escrever, como ele fez, que "num mundo higienista, a subjetividade é definida pelo corpo". Se estou numa conversa com amigos e alguém se expresssa desse modo, é impiedosamente sacaneado. Isso é o que falta a nossos intelectuais: um bando de amigos impiedosos, que não perdoe deslizes como esse. Às vezes, a zombaria física também ajuda, como o bom e velho tapa no pescoço ou um peteleco na orelha. Se tivesse colegas que o tratassem com ironia e não com reverência, o Contardo Calligaris não teria escrito uma merda dessas - e, se tivesse, teria tomado uns cascudos para aprender.
Quem também deveria ser sacaneada e apanhar de vez em quando é a Marilena Chauí, a santa padroeira do partido que rouba, mas não faz. Um de seus livros se chama "A nervura do real - imanência e liberdade em Espinosa", que consegue a façanha de ser ilegível desde o título. É uma proeza para poucos

PS: Depois de escrever este post, eu me lembrei desta coluna do Alexandre Soares Silva. Como diria um intelectual brasileiro, o meu texto é claramente tributário do que escreveu Alexandre, o que revela subrepticiamente os mistérios e armadilhas do inconsciente



Autores

* Marcos Matamoros
* F. Arranhaponte


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* JP Coutinho
* Manobra, 1979
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