Aldo Rebelo, o amigo do saci VIII
Estaríamos revolucionando os arquétipos culturais brasileiros? Como símbolo da indolência rural, sai Jeca Tatu, entra o negrinho do pastoreio? Não ouso formular esta tese a não ser como indagação, provocação, mais como um complicador do que como uma resposta pronta e acabada - bem ao estilo homogálico. Espero que não me confundam
Aldo Rebelo, o amigo do saci VII
Para isso o Aldo Rebelo serviu, você está certo. Nós mergulhamos num dos mitos arquetípicos do Brasil profundo, e descobrimos que o fazendeiro da lenda do negrinho do pastoreio não teve oportunidade de contar o seu lado da história. Quase fui às lágrimas ao pensar no "peso da responsabilidade de gerir um negócio rural em local ermo naqueles tempos remotos", como você tão bem descreveu
Aldo Rebelo, o amigo do saci VI
Genial. Quá quá quá! Espero que nossos milhares de leitores compreendam que isto é uma piada. Como você vê, a ascensão do Aldo Rebelo nos levou a um mergulho nas nossas raízes que não teríamos empreendido se não fosse por sua postura coerentemente nacionalista ao longo de toda uma vida de militância.
Aldo Rebelo, o amigo do saci V
Um amigo meu de algum modo fez essa releitura. Dizia ele sobre a história do negrinho do pastoreio: o castigo talvez tenha sido muito rigoroso, mas o deslize do negrinho não poderia ter passado em branco. É um ponto de vista
Aldo Rebelo, o amigo do saci IV
O diretor francês Alain Resnais dizia que "todo mundo tem a sua razão" (há 70% de chance desta citação estar errada, mas confio em que ninguém vá conferir). A história do negrinho sempre foi contada pela ótica dos vencidos. E o fazendeiro, e o peso da responsabilidade de gerir um negócio rural em local ermo naqueles tempos remotos? Afinal, ele confiou no negrinho e na sua capacidade de se manter desperto. Hoje há todo o tipo de revisionismo, mas nunca vi ninguém com coragem suficiente para fazer uma releitura do mito do negrinho do pastoreio. PS (feito muito depois do post): A citação está errada mesmo (que desça o látego), como informa um culto, atento e anônimo leitor. Veja os comentários
Aldo Rebelo, o amigo do saci III
A questão é que brasileiro avacalha tudo, e isso me incomoda. Na eleição do Aldo Rebelo, três deputados do PC do B foram flagrados no meio do plenário rezando pela vitória do Aldo. Como é que pode comunista rezar? E o materialismo histórico? Tio Enver Hoxha não ia gostar nada disso. Além disso, lembre-se de que o comunista Aldo Rebelo foi apoiado pelo Partido Liberal. A avacalhação abunda. E os projetos ridículos do Aldo não param na proibição aos estrangeirismos e no dia do saci pererê. Ele também já propôs a obrigatoriedade da adição de farinha de mandioca refinada à farinha de trigo. E um cara como esse foi ministro e depois é eleito presidente da Câmara. Quanto às lendas brasileiras, me esqueci de mencionar a mais chata e deprimente de todas: a do negrinho do pastoreio. O bumba meu boi tem uma dimensão shakespeareana perto dessa história. Serve apenas para deixar a molecada triste ao tomar conhecimento da lenda. E me ocorreu uma coisa: quem sabe o Aldo Rebelo, além de ajudar os deputados mensaleiros a se safar da cassação, também não cria o dia do negrinho?
Aldo Rebelo, o amigo do saci II
Em relação ao folclore, gostaria de observar que sempre apreciei o bumba-meu-boi do ponto de vista do nome, que me parece bastante eufônico. O fenômeno em si deixa a desejar, quando cotejado com o nome, mas é mais uma questão de ajuste fino entre uma boa idéia (que algum tipo de coisa se chame bumba-meu-boi) e a sua implementação (que esta coisa seja uma folguedo, e que este folguedo seja divertido). Acho que nós brasileiros tendemos muito à síndrome maníaco-depressiva. Neste momento politicamente carregado, você deixa-se contaminar pelos maus fluidos e ataca nossas festas, nossa gente, nosso Aldo. Acho que o novo presidente da Câmara tem o perfil ideal para assar um pizza moderada, com punições que saciem a sede de sangue das massas, e, simultaneamente, dar suporte para que o governo Lula prossiga com a sua boa gestão neoliberal da nossa economia. Deixemos o bom comunista em paz. Como dizia Roberto Marinho, este é dos nossos.
Aldo Rebelo, o amigo do saci
Como Aldo Rebelo vai comandar a Câmara dos Deputados depois do desastre Severino, está sendo tratado com mais respeito do que merece. Aldo é autor de vários projetos de lei nacionalistas. O mais conhecido é o que proíbe o uso de estrangeirismos, para tentar proteger a língua portuguesa da influência maléfica do inglês. Mas calma, ele pode ir mais longe do que isso. Aldo também criou o dia nacional do saci pererê, para ser comemorado em 31 de outubro - o dia do Halloween. Aliás, se o outro projeto estivesse em vigor, é possível que eu fosse proibido de escrever halloween. O termo blog também seria vetado. Imagino o deputado coberto de piche, numa perna só, com uma carapuça vermelha e cachimbo de barro, defendendo a importância das figuras do folclore brasileiro. Câmara Cascudo que me perdoe, mas eu sempre achei as lendas brasileiras chatíssimas. Saci pererê, boitatá, curupira, mula sem cabeça, todas essas figuras sempre me causaram o mais profundo tédio. O pior de todos, porém, é o bumba meu boi. Eu me lembro da decepção que tive ao ver uma apresentação na escola, com nove anos. É só isso?, fiquei me perguntando. Conheço alguns amigos que viram e adoraram a festa de Parintins, falando maravilhas do Caprichoso e do Garantido. Eu só vou para lá se puder torcer contra os dois. Mas voltando ao Aldo Rebelo (deputado do PC do B, partido que considerava a Albânia, um país miserável, o farol da humanidade). Samuel Johnson dizia que o patriotismo é o último refúgio dos canalhas. Eu não iria tão longe. Aldo mostra que o patriotismo é na verdade o último refúgio dos babacas
Delícias do modelo chinês II
É engraçado como a China virou a queridinha de muita gente. É um estado totalitário, mas e daí? O país cresce 9% ao ano, veja que bonito. Prisões por motivação política, julgamentos sumários e o desrespeito à liberdade de expressão são apenas detalhes, assim como a inexistência de eleições. Para os fãs do modelo chinês, a besta fera não democrática do mundo são os EUA - uma sociedade que elegeu um presidente despreparado, arrogante e que se acha predestinado a salvar o planeta. Acho que tudo isso é mais ou menos verdade, mas há um detalhe: ele foi eleito, e a cada quatro anos os americanos podem decidir quem vai governar o país. Outro ponto irrelevante: a imprensa americana pode falar o que quer do presidente. O mesmo não se aplica aos jornalistas chineses, que não parecem ter muita liberdade para criticar o companheiro Hu Jintao. Mas eu estou me apegando a detalhes
Delícias do modelo chinês
Muito se tem falado sobre a conveniência do Brasil adotar o modelo econômico chinês. Evidentemente, é desejável crescer a 9% ao ano, em vez de meros 4%. Sendo assim, proponho um sintético roteiro para esta necessária transformação sócio-econômica. Vocês notarão que eu não mencionei desvalorizar o câmbio e baixar os juros, que normalmente são tratados entre nós como tudo o que é preciso fazer para o nosso sino-upgrade. A razão é simples: estas medidas são notas de pé de página, comparadas à parte mais suculenta do modelo chinês, que ora lhes apresento: O MODELO CHINÊS EM OITO PASSOS (ou como crescer de forma indolor) 1) O exército invade favelas, bairros pobres e comunidades carentes em geral, e obriga 130 milhões de brasileiros a voltarem ao campo 2) São introduzidos passaportes internos, e proibida a livre migração dentro do país 3) Os 130 milhões são obrigados a adotar um estilo de vida baseado numa agricultura de subsistência com nível tecnológico feudal 4) Toda a legislação trabalhista é extinta. É introduzida a semana de trabalho de 7 dias, e a jornada de 14 horas 5) Cada vez que houver qualquer sintoma, por mais leve que seja, de agitação trabalhista nas cidades, o governo deixa que alguns milhões de camponeses furem os bloqueios legais e batam na porta das fábricas pedindo empregos 6) A partir daqui fica bom: fecha-se o Congresso, abolem-se os partidos e são introduzidos a pena de morte, a prisão perpétua e outros instrumentos necessários a esmagar qualquer contestação à nova ordem sócio-político-econômica. 7) Abole-se o instituto da aposentadoria em todos os níveis, seja no setor público ou privado (incentivo à poupança). Com as muitas dezenas de bilhões de reais desviadas dos velhinhos e cinqüentões sarados do calçadão de Copacabana, investe-se pesado em educação 8) Com todos os elementos acima, monta-se no Brasil uma máquina de exportação baseada em salários baixíssimos e trabalho semi-escravo de uma população com um nível de produtividade razoável. P.S.: Não é necessário adotar o molho agridoce na nossa culinária
O silêncio da Marilena II
Eu não sei, mas acho estes nossos intelectuais tão confusos que nem consigo me indignar com as estultices que eles reconhecidamente falam. Pode parecer um certo esnobismo ignorante, mas o meu ponto é que não há como nós pensarmos que uma pessoa de alto QI e muito estudo, e que leva a sério as propostas do Lula pré-presidência, do Stédile ou da Heloísa Helena, não tenha algum tipo de problema. Intelectuais e artistas são seres instáveis cujas opiniões em geral refletem seu mal-estar interior. Intelectuais terceiro-mundistas costumam ser densos poços de ressentimento, e não há QI para botar o pensamento em ordem diante do turbilhão emocional causado por uma realidade sádica e sarcasticamente indiferente às agruras dos nossos anti-heróis. Não deve ser fácil ser atropelado pelos fatos todos os dias, e assistir ao espetáculo de trituração das suas crenças, mesmo as mais prosaicas. Não é culpa da Marilena se ela é levada a sério. Por que não a deixam no seu canto pirando discretamente e chorando baixinho?
O silêncio da Marilena
Depois de vários meses (ou foram anos?) de silêncio, Marilena Chauí voltou à cena política. Nas últimas semanas, falou duas vezes em público, deixando claro como o silêncio dos intelectuais brasileiros pode ser rico e instigante. A nossa maior filósofa disse que o governo Lula caiu na "armadilha tucana" de fazer um governo de transição, e não de transformação. Ou seja, a culpa é do PSDB, e não do analfabeto eleito com 53 milhões de votos e de seu partido. Esses tucanos são realmente malvados. Mas essa frase ficou bem aquém do brilhantismo da outra, dita na semana passada num encontro de intelectuais petistas - um oxímoro, não? Entre perplexa e indignada, disse Marilena: "O que nós fizemos para sermos tão odiados? Nunca vi um ódio igual a esse. E sei hoje por que, é porque nós fomos o principal construtor da democracia nesse país. E não seremos perdoados por isso nunca." Essa é a minha preferida. Eu tenho até dificuldade em escolher um ponto para ridicularizar: o que é pior, ela dizer que nunca viu "um ódio igual a esse" ou que o PT foi o principal construtor da democracia no país? Se bem que não é necessário escolher uma ou outra: as duas merecem destaque, pela arrogância e pelo messianismo. Eu sempre achei curiosa a posição dos intelectuais petistas. Como é que boa parte da elite intelectual do país tem como líder e mentor um sujeito que se orgulha de não ter estudado? Não é uma contradição que uma filósofa deveria ter notado há tempos? Aliás, que papo é esse de filósofa? Quer dizer que, se o Bertrand Russell estivesse vivo e fosse atualizar A história do filosofia ocidental, teria um capítulo sobre o pensamento de Marilena Chauí? Como diria o líder petista supremo, menas, menas. Professora de filosofia e filósofa são coisas diferentes, ou deveriam ser. Para finalizar, um recado wittgensteiniano para Marilena: "Sobre aquilo de que não se deve falar, deve-se calar".
O choro dos corruptos
F. ARRANHAPONTE: A prova definitiva de culpa de um suposto corrupto, para mim, é o ato de chorar na CPI (ou na comissão de ética, ou em qualquer um dos múltiplos fóruns de investigação por aí). A razão é simples. O sujeito honesto tem pudor, circunspecção, reticência. Ele pode até ficar com nó na garganta, ter um princípio de descontrole lacrimal, mas rapidamente, num condicionamento repressivo do tipo que nos impede de mijar nas calças propositadamente se estivermos de fraque como padrinho numa cerimônia de casamento, ele se restabelece, e volta a se comportar como um homem (ou mulher) adulto. Chorar em público deslavadamente, feito um bebê com a fralda cagada, é ato típico dos sem-vergonha, como este cozinheiro italiano, o Buani, que conseguiu defenestrar o Severino. Foi bom derrubar o Severino, mas este Buani... Você compraria um restaurante usado dele? Ouvi dizer, ou li por aí, que o Valdemar Costa Neto, um sujeito nietzschiano, muito aquém do bem e do mal, teria dito para alguém que depor em CPI é mole, é chorar, chorar, chorar, que a opinião pública fica com peninha e pega leve. Bem, 1/182 milhões avos da opinião pública, isto é, eu, tem opinião diametralmente oposta. Chorar em CPI, para mim, é crime capital. Eu até fico revendo mentalmente alguns dos depoimentos que assisti, e simpatizo retrospectivamente com alguns dos corruptos que não choraram. Confesso. Por exempo, tenho a impressão que Marcos Valério não chorou (posso estar errado). Quando penso nisso, me vem a idéia de que ele demonstrou um mínimo de dignidade na desgraça. Delúbio e Silvinho choraram (não necessariamente na CPI). Forca com eles. Sei que estas reflexões não serão populares, mas estou sendo sincero. Para ser curto e grosso, deixo aqui registrado o clamor de 1/182 milhões avos da opinião pública: "Morte horrenda aos corruptos chorões!" MARCOS MATAMOROS: O choro dos corruptos causa em mim mais perplexidade do que indignação, embora eu também tenha ânsia ao ver figuras repulsivas chorando em público. O corrupto brasileiro, como muitos já notaram, nunca se mata. Nos últimos escândalos, não lembro de nenhum corrupto que tenha se suicidado. Confesso que não sei se o suicídio é melhor que o choro, mas revela algum resquício de fibra moral. Dar um tiro no coco requer pelo menos um pouco de coragem, não? Será que isso significa que o brasileiro, ou pelo menos o corrupto brasileiro, é mais pusilânime do que o japonês, ou pelo menos do que o corrupto japonês? Ou será que, ao chorar, o corrupto espera de alguma maneira se mostrar humano e conquistar a simpatia dos possíveis algozes? F. ARRANHAPONTE: Um corrupto se suicidar seria um imenso avanço institucional. Mas não creio que eu viva para ver isto no Brasil.
Big easy and us IV
O fato de o Emir Sader ser considerado intelectual mostra a indigência do país. Eu procurei artigos desse importante pensador, e percebi que se trata de um humorista - mas involuntário. Com muita dificuldade, selecionei apenas um trecho de um artigo intitulado "Um dia sem os economistas". "Tentemos viver um dia sem os economistas. (...) Tentemos substituí-los por gente como a gente, que priorize os objetivos sociais – nível de emprego, de salários, universalização e qualidade das políticas de saúde, educação, cultura –, em detrimento dos objetivos financeiros. Que diminua drasticamente ou desapareça com os superávits fiscais, que diminua drasticamente as taxas de juros, que eleve o salário mínimo a R$ 400, que só conceda créditos governamentais em troca de garantia de empregos e com carteira de trabalho assinada, de aumentos salariais. Gente que privilegie a saúde, a educação, a cultura, em detrimento das taxas de juros e das bolsas de valores. (...) Um dia sem os economistas se revelará perfeitamente factível e saudável. Veremos que podemos ser autônomos, independentes, felizes, sem os economistas. Comecemos agora, pelo Ministério da Fazenda e a Presidência do Banco Central, sem os economistas." O sujeito acha seriamente que é possível fazer tudo isso e, dessa maneira, levar o país a viver uma fase de crescimento, prosperidade e desenvolvimento nunca vista debaixo do sol. E ele parece pensar que os economistas ortodoxos de fato privilegiam os juros e as bolsas em detrimento de educação, saúde e cultura. Às vezes eu me pego torcendo - mas por apenas alguns momentos, fique tranqüilo - que os sonhos delirantes de intelectuais como o Emir Sader se tornem realidade. Em 72 horas - ou 48? ou 24? - eles conseguiriam quebrar o país. A culpa, naturalmente, seria da burguesia - sim, em outros artigos ele gosta de culpar a burguesia. Se você for masoquista e quiser ler o artigo completo do Emir Sader, clique aqui
Big easy and us III
É curioso que um furacão seja visto como o momento ideal para se passar julgamentos definitivos sobre todo um sistema sócio-econômico. É como se concluíssemos que o dia ideal para avaliar o desempenho profissional de um sujeito fosse, por exemplo, aquele no qual ele foi atropelado. Se alguém der corda prum tipo assim como o Emir Sader, é capaz dele dizer que o Katrina foi a queda do muro de Berlim dos Estados Unidos. Aliás, eis aí uma boa idéia para um artigo. É pena que eu não seja de esquerda, a quantidade de sacadas deste tipo que brotam na minha mente por minuto não é normal
Big easy and us II
Entre os esquerdinhas que eu conheço, o furacão provocou um sentimento não disfarçado de triunfo em relação aos EUA. "Ah, está vendo, eles não são tão ricos como parecem." "O modelo deles não está dando certo, você viu como tem miserável por lá?" Confundir miséria com pobreza é burrice, falta de informação ou as duas coisas. Além dessa análise percuciente sobre a socidade americana, os intelectuais com quem convivo também escolheram o grande responsável pela catástrofe: do posto privilegiado em que se encontram, decidiram que a culpa é toda do Bush. Não faltam motivos para criticar o Bush, da política econômica à invasão do Iraque, mas é ridículo atribuir a ele toda a responsabilidade, embora o governo federal pudesse ter agido de forma mais eficiente. O furacão, me parece, é um desastre natural um pouco mais grave que as chuvas que alagam as cidades brasileiras no verão. Além disso, a governadora do Estado e o prefeito - os dois democratas - também têm alguma culpa, não? Mas, em mesa de bar, o palco de tantas revoluções, esse tipo de ponderação não faz sucesso
Big easy and us
Este furacão de New Orleans abriu um novo filão, o de dizer que a idéia de que os Estados Unidos são um país superdesenvolvido é um mito vendido pelos americanos para dominar o mundo. Na verdade, o índice de desenvolvimento humano americano não seria muito melhor do que o da África, pelo que os esquerdinhas estão concluindo por aí. Uma que eu conheço acaba de dizer que “aquele interiorzão dos Estados Unidos é um grande bolsão de miséria”, ou quase isto. Isto é, a sábia não entendeu que os principais bolsões de pobreza, não de miséria, são de negros em cidades grandes. Os negros são mais ou menos 13% da população americana, e 30% estão abaixo da linha de pobreza (catei uns dados de 1995). Isto é, aqueles negros de New Orleans que vimos na televisão representam 4% da população americana. O “interiorzão” a que nossa intelectual se referia é a república red neck, quase sem negros e outras minorias, e um padrão de vida médio conhecidamente alto. O Bush se elege sendo o escroto que é justamente por causa de 150 milhões de red necks e brancos de subúrbios ricos que estão cagando (especialmente os primeiros) para o fato de que crioulos morreram no furacão de New Orleans. É claro que há muitos outros pobres nos Estados Unidos, que não se encaixam no perfil "negro em área ruim de cidade grande". O total de pobres está pouco abaixo de 15%, e inclui gente de todas as raças espalhadas por todos os cantos, como na maioria dos países. Um detalhe significativo é que "pobre" nos Estados Unidos é quem pertence a uma família de quatro pessoas com renda inferior ao equivalente em dólares de R$ 3.000 por mês (ainda estou em 1995 - aquele limite deve ter subido). Mesmo levando-se em conta a diferença em paridade de poder de compra, é um sonho de consumo para qualquer pobre brasileiro (estou falando de pobres de verdade, e não de classe média que se acha pobre porque o Antônio Ermírio é mais rico). É óbvio que há 500 mil observações que pessoas inteligentes podem tirar dos eventos do Katrina e que seriam muito relevantes, por exemplo, quando suecos ou franceses discutem até que ponto os seus países deveriam copiar características do modelo americano de capitalismo. Mas, para nós, que ainda nem conseguimos formar uma sociedade de consumo de massas, o Katrina tem muito pouco a ensinar. Talvez apenas que cucaracho deve ir mais para o Norte quando imigra ilegamente para os States. Vê se pode, daqui a pouco vai ter mineiro se estabelecendo no norte do México. É o cúmulo da humilhação.
Previsões V
Indicador feito pela Unicamp? Antevejo mais um Nobel para o Brasil, além do recebido pelo Celso Furtado (que foi "moralmente", no sentido Cláudio Coutinho da palavra, ganhador do Nobel de, digamos... 2000, virada de milênio, e data digna do nosso pensador maior). O que me enfurece é que, além do Nobel moral do Celso (eu pensei em dizer que nosso gênio foi furtado do Nobel efetivo, mas sei que isto levaria ao rompimento da amizade), nós não levamos mais nenhum. Mas não há de ser nada. A Unicamp poderia criar um prêmio de Economia, talvez o "Campineiro", e assim a sua equipe criadora do indicador, caso não papasse o Nobel, garantiria pelo menos o Campineiro de 2006. Aliás, os economistas de Campinas poderiam criar também um ranking de importância de prêmios de Economia, no qual o Campineiro ficaria na frente do Nobel. Assim, o melhor indicador de desenvolvimento humano do mundo seria agraciado com o mais importante prêmio de Economia do mundo. Com criativade, em tudo dá-se um jeito
Previsões IV
Muitos intelectuais não resistem ao flerte do abismo. É um impulso irresistível. Um problema é que grandes colapsos são raros. O Brasil, por exemplo, tem insistido em crescer a taxas medíocres nos últimos anos, sem, no entanto, passar por recessões brutais. É um problema crescer a uma média pouco superior a 2% ao ano, claro, mas parece melhor do que o PIB cair 20% em quatro anos, como ocorreu com a Argentina. Com isso, aumenta o ressentimento e a raiva de quem previu o caos. Em alguns casos, o catastrofista dobra a aposta. Sua irritação fica ainda maior quando surgem números que contrariam suas teses. Um crescimento um pouco maior aqui, um aumento do número de matrículas ali, nada disso pode ser comemorado. A impressão é que o sujeito fica irritado com o avanço; o país tinha que caminhar para o buraco, e não melhorar. Veja o caso do grande economista Márcio Pochmann, da Unicamp. Ao avaliar a posição do Brasil no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU, em que o país aparece em 63.º lugar, ele faz ponderações supostamente inteligentes, em entrevista à Agência Globo. Ele diz que o IDH se mostra, cada vez mais, insuficiente e inadequado para medir o desenvolvimento humano de um país. O indicador não mede, por exemplo, a violência e o desemprego. Segundo Pochmann, um índice de exclusão social "feito pela Unicamp em 2002 mostra o Brasil na 109.ª posição entre 175 países observados". Como o IDH indica que o país melhorou um pouco em plena vigência de políticas neoliberais, ele não teve dúvidas. Sacou do coldre um indicador "feito pela Unicamp" para evidenciar que tudo continua péssimo
Previsões III
Eu visualizo a cena. O Krugman na banheira, inverno no hemisfério Norte, acompanhando a Bloomberg no terminal instalado no banheiro, quando de repente as notícias começam a surgir: a bolha imobiliária estourou, e os preços das casas despencam entre 30% e 50% em apenas um dia (não me pergunte se isto pode de fato acontecer - não entendo nada de mercado imobiliário); proprietários desesperados ateiam fogo às suas residências na calada da noite para ver se ao menos conseguem uma indenização do seguro; o Índice Dow Jones despenca 13% e o pânico toma conta de Wall Street; já há registros de suicídios (um corretor espatifou-se na calçada num dos pontos mais nobres de Manhattan, esguichando sangue nas lentes de turistas chineses horrorizados); by the way, a turbulência atingiu a China, onde a inflação dispara e o BC decretou feriado bancário, para estancar uma corrida bancária (como efeito demonstração, três velhinhas que insistiam em retirar sua poupança na província de Xoxotang, no extremo noroeste, foram fuziladas no ato); no Oriente Médio, homens bombas espocam por toda a parte (não há relação aparente entre a crise econômica global e qualquer passagem do Corão, mas tudo é motivo para homem bomba explodir); no Leste asiático, as bolsas despencam e a Coréia do Sul entra em alerta nuclear máximo (os norte-coreanos aproveitam o caos mundial para anunciar seu projeto de reunificação da província sob a égide do neo-maoísmo); na África, as perspectivas, habitualmente negras, ficam ainda mais pretas; o mundo, enfim, sucumbe à crise. Excitadíssimo, Krugman corre nu para a sala, respingando água no carpete, a espuma do xampu escorrendo pela barba, aos berros de "I told you, I told you', como se falasse com o resto da humanidade como um todo. Ele ri, chora, dá cambalhotas, aparece na janela e sacode o peru para a adolescente vizinha que sai para a escola. A esposa, aturdida, corre para o telefone, disca o número de emergências psiquiátricas, enquanto a situação continua a se deteriorar, acompanhando o cenário global. No minuto subseqüente, Krugman já está do lado de fora, pequenos flocos de neve caindo sobre o corpo curvo, branco e repulsivo de intelectual, os olhos arregalados, gargalhando demoniacamente enquanto agarra um discreto senhor pela gravata e o esbofeteia. Os vizinhos incrédulos vêem a ambulância chegar e o candidato a Nobel ser arrastado embora numa camisa-de-força. No dia seguinte, enquanto devoram o noticiário sobre o grande colapso do capitalismo global, poucos leitores do New York Times percebem a notinha informando que "por razões estritamente pessoais, o economista Paul Krugman já não colabora com este jornal".
Previsões II
É da natureza do ser humano se regozijar com o acerto de previsões, por mais triviais que sejam. O prazer de acertar também é muito maior quando as previsões são catastróficas. Outro ponto importante: intelectuais que vaticinam o caos têm mais ibope, o que é um estímulo para que profecias pessimistas surjam com uma freqüência elevada. Veja o caso dos desequilíbrios da economia americana. Há quanto tempo caras como o Paul Krugman dizem que a situação é insustentável? Depois de algum tempo, o que era profecia se torna torcida. Imagine o prazer desses caras se realmente os EUA entrarem em colapso? O risco de uma recessão global fica em segundo plano numa hora dessas - o intelectual quer mais é que a realidade comprove suas idéias. Se a realidade insistir em contrariar as previsões, é só fazer como jornalistas brasileiros de esquerda: minimize qualquer avanço e lembre dos grandes problemas estruturais que continuam a existir. A economia cresceu 5% no ano passado? Grande coisa! Isso é pouco para um país que tem a segunda pior distribuição de renda do mundo. A partir daí, o caminho é simples e conhecido. É só repetir as profecias catastrofistas usuais. Pode não ser o mais honesto intelectualmente, mas aumenta o apelo com o público leitor, inclusive - e talvez principalmente - com o público feminino
Previsões
Os intelectuais costumam prever coisas, geralmente desastrosas, já que todo intelectual é desajustado. Por exemplo, digamos que um geógrafo renomado (curiosa a Geografia como disciplina, não? No colégio era uma coisa tão inocente, depois na vida adulta desapareceu do mapa - ruim, admito - e ressurgiu na pele de uns comunas com nome estranho, como uma fronteira algo 'cult' do esquerdismo oficial da República) preveja que, a continuar a globalização no atual ritmo, uma fome catastrófica irá despopular diversos países no centro daÁfrica. A partir da previsão, o renomado geógrafo começa, naturalmente, a torcer para que a catástrofe ocorra, para que sua vaidade intelectual não seja tisnada. É curioso pensar que, neste exato momento, milhares ou milhões de intelectuais no mundo inteiro acompanham os fatos febrilmente, em busca de sinais de que as grandes desgraças previstas estão de fato ocorrendo. Se eu acreditasse na força do pensamento, positivo ou negativo, diria que não há chances de o mundo dar certo. Agora, um disclosure: eu, quando faço previsões desgracentas, acabo torcendo para que aconteçam. Tento me policiar mas não consigo - está sempre lá impregnado aquele desejinho perverso de poder proclamar aos quatro ventos "não disse, não disse!"
Futebol e mulher VI
Maldita realidade! Sempre colocando em risco as mais robustas teorias. É gol do Sevilha! Haja putas para reverter este placar
Futebol e mulher V
As putas já estão na arquibancada. Quando mostraram a arquibancada pela primeira vez, um pouco antes do começo do jogo, apareceram algumas brasileiras com cara de puta. A vitória do Brasil é inexorável, pelo menos de acordo com o histórico recente. A não ser que haja espanholas com cara de puta torcendo pelo Sevilha, anulando a nossa vantagem comparativa
Futebol e mulher IV
Não dá para arrumar umas putas brasileiras nas ruas de Sevilha e levá-las rapidinho para as arquibancadas do jogo? Traveco não vale, ou vale? Ou já tem puta na arquibancada e eu não vi?
Futebol e mulher III
Quando vejo as brasileiras com cara de puta nos jogos da seleção no exterior, eu fico emocionado. Em primeiro lugar, porque a presença delas é, para mim, um sinal de vitória do Brasil. Segundo, porque penso na importância delas para as contas externas do país. Todo mundo sempre fala nos dekasseguis, que enviam uma grana boa todo o ano do Japão para o Brasil. Mas e essas trabalhadoras incansáveis, que se dedicam a divulgar o nome do país no exterior, mostrando do que a brasileira é capaz, nos cantos mais recônditos do planeta? A seleção jogou na Croácia no mês passado, e lá estavam elas. Eu não posso afirmar com certeza, mas acho que um levantamento do Banco Central (BC) mostraria que as brasileiras que se dedicam à profissão mais antiga do mundo enviam mais dinheiro para cá do que os dekasseguis
Futebol e mulher II
É evidentemente um fenômeno mágico, glauberiano. Está tudo lá, futebol, carnaval, putaria, nossas grandes vocações, numa suntuosa apoteose nacional. O país precisa se especializar naquilo que tem de melhor, explorar de forma mais sistemática suas vantagens comparativas. Com a palavra, nossos empreendedores.
Futebol e mulher
Eu tenho uma tese sobre futebol e mulher, que se confirma a cada jogo da seleção. O Brasil ganha sempre que eu vejo na arquibancada brasileiras com cara de puta, seja por aqui, seja no exterior. Na Copa das Confederações, na Alemanha, o quarteto mágico começou a jogar melhor a partir do momento em que apareceram brasileiras com cara de puta na arquibancada. Eu não sei explicar de que maneira isso influencia o desempenho da seleção, mas é algo que tem se mostrado infalível. Acho que o fato de o Brasil contar com craques ajuda, mas está longe de ser o motivo principal para a melhora recente da equipe canarinho
O brasileiro é burro? VI
Temos que defender bandeiras mais sexy. Este debate sobre modelos econômicos é um tremendo mico. Os milhares de leitores do nosso blog estão ficando entediados. Eles aceitam a nossa adesão ao neoliberalismo, desde que mudemos de assunto. Você tem alguma teoria recente, fresca (não no sentido sexual) sobre futebol ou mulher?
O brasileiro é burro? V
Ser chamado de neoliberal não é algo que me incomode. Não é um termo ofensivo. O problema é o tom em que isso é dito. Qualquer pessoa que não acha que 150% do orçamento deve ser destinado à saúde e à educação é neoliberal e direitista. Fico feliz em saber que no calçadão de Ipanema o neoliberalismo é tolerado e até mesmo incensado. Em São Paulo, tenho medo de usar minha camiseta em defesa do superávit primário de 7% do PIB mesmo quando ando no shopping Iguatemi. Quem sabe eu me mudo para o Rio e consigo ganhar a vida vendendo bottoms do FMI, com a cara da Anne Krueger?
O brasileiro é burro? IV
Você se ressente de ser chamado de neoliberal. Isto deveria ser motivo de orgulho. Eu, por exemplo, costumo andar na calçada da praia de Ipanema aos domingos (como intelectual orgânico da burguesia da zona Sul carioca que sou) com uma camiseta com a efígie do Roberto Campos estampada e o dístico “Só o neoliberalismo salva”. Nunca fui hostilizado e, pelo contrário, volta e meia sou parado para receber cumprimentos, não só de brancos ricos, mas também de afro-brasileiros moradores da Cruzada São Sebastião, conjunto residencial para a baixa renda encravado em Ipanema. Sinto que o neoliberalismo explícito será a grande onda da primeira década do novo século
O brasileiro é burro? III
O governo poderia tentar uma parceria com o setor privado para a distribuição de vibradores para velhinhas, não? Seria mais eficaz. O caso da menina de 103 anos é um exemplo gritante da burrice nas políticas sociais do país. Outro fato que mostra como o país age de maneira burra: o senso comum diz que o Brasil gasta pouco com saúde e educação. Mentira. O Brasil gasta mais de 5% do PIB com educação; a Coréia, 4,7% do PIB. O problema, obviamente, está na maneira como os recursos são gastos. Diga isso para boa parte dos seus amigos. Tenho certeza que muita gente vai te xingar de insensível, direitista, neoliberal. Para essas pessoas, o Brasil sempre gasta pouco, não interessa se os recursos destinados para uma determinada área aumentaram muito nos últimos anos ou se são elevados para um país com o nível de renda do Brasil. Mas eu estou tentando argumentar racionalmente. Uma característica de gente burra é raciocionar com as quatro patas
O brasileiro é burro? II
Quanto à pergunta título, o brasileiro age burramente, com certeza. Por definição, se um país é sub-desenvolvido, seu povo age burramente. Subdesenvolvimento é burrice, e nada mais. Quanto à alfabetização, direcioná-la a adultos de meia idade e velhos é jogar dinheiro fora (burrice, portanto). É 500 vezes mais difícil alfabetizar um velho (do que uma criança), e 500 vezes menos útil (o velho provavelmente não vai aumentar sua produtividade porque aprendeu a ler). Com algum desconto, o mesmo aplica-se a adultos a partir de certa idade. Depois que o Cristóvam Buarque saiu e entrou o Tarso Genro no Ministério da Educação, a primeira coisa que fez o tecnocrata inteligente que o novo ministro colocou para tocar o programa de alfabetização (isto não quer dizer que o Tarso só tenha chamado gente inteligente) foi acabar com a idéia do Cristóvam de alfabetizar todo mundo, e concentrar os esforços do governo federal em crianças e jovens. E quanto (prometo que é o último 'quanto') à realização da velhinha, um bom vibrador fará o trabalho, por menor custo e sem atrapalhar os programas sociais.
O brasileiro é burro?
O brasileiro é mais burro do que os outros povos? Eu sempre combati essa idéia, mas começo a ter dúvidas. No sábado, o Lula compareceu a uma cerimônia em que deu diplomas a adultos alfabetizados. Uma das alunas era uma menina de 103 anos. Não me parece a melhor maneira de melhorar a qualidade educacional de um povo. Não seria melhor investir em velhinhos de 0 a 14 anos?
Crise, que crise? II
Um país que elege um analfabeto para a presidência está em crise e nunca sairá dela
Crise, que crise? III
O analfabeto apoiou as políticas neoliberais corretas. E os problemas foram causados pelo Dirceu, que não é analfabeto, apesar do sotaque caipira
Crise, que crise? IV
O analfabeto delegou o dia a dia do governo ao Dirceu, um arremedo de Beria sem nenhuma competência administrativa. E ele não é analfabeto, mas fala róba e poblema, o que o coloca na melhor das hipóteses como semiletrado
Crise, que crise? V
O Dirceu pagou o mensalão necessário à aprovação de reformas importantes, como a da previdência. Está certo, sou contra o mensalão, mas a causa foi nobre. É um pecado com atenuantes.
Crise, que crise? VI
Eu também sou contra o mensalão. Você sabe, sou patologicamente honesto. Mas vamos raciocinar em termos maquiavélicos. Mesmo assim, o dinheiro foi jogado fora, já que a reforma da Previdência aprovada é bastante incompleta. É mais um exemplo da incompetência petista: entraram de cabeça na corrupção, mas com resultados pífios. Não conseguiram nem corromper direito. Triste do país que não consegue nem mesmo ter corruptos competentes
Crise, que crise? VII
Acho que existe uma certa inocência, diria até pureza, na forma como os jacus do PT mergulharam de cabeça em charutos, canetas mont-blanc, putas caras, etc. É como uma criança pobre que entra pela primeira vez num parque de diversões com todos os brinquedos grátis. Acho que nutrimos um excedente de ódio por corruptos trapalhões que se lambuzam todos, enquanto somos um pouco condescendentes com velhas raposas que roubam discretamente e nunca perdem a compostura
Crise, que crise? VIII
Eu sempre tive nojo das velhas raposas corruptas. O que aumenta o grau de indignação na crise atual é que os petistas sempre se comportaram como virgens no puteiro. Eram os donos da ética e ninguém tinha mais autoridade moral do que eles. Eu temia que, chegando ao poder, fossem agir até mesmo como Robespierres tropicais. Meus temores eram infundados. Em vez disso, se entregaram gostosamente à corrupção, com uma afoiteza infantil e primitiva. Não acho, porém, que são mais corruptos do que os outros. São tão corruptos quanto os outros, mas são mais incompetentes. Você colocaria um cara como o Delúbio Soares para tomar conta do seu dinheiro? A resposta é óbvia
Crise, que crise? IX
Não colocaria o Delúbio para cuidar do meu dinheiro. Mas, se fosse ladrão, talvez o colocasse para roubar para mim. Ele parece leal e dedicado. Não parece do tipo que assassina o chefe da quadrilha para ficar com tudo. É verdade que foi pego, o sumo pecado na sua profissão. Mas a culpa não teria sido do Dirceu?
Crise, que crise? X
Acho melhor você não se tornar ladrão, ou pelo menos mudar seus critérios para a escolha de seus capangas. Se não, você terá um fracasso retumbante no mundo do crime. O Delúbio é claramente incompetente. Como o tesoureiro do partido é um cara que não sabe falar direito? O cara se reúne com grandes empresários e pede dinheiro falando daquele jeito? Tudo bem, isso dá status no PT, mas acho que a cota de analfabetos estava mais do que preenchida com o Lula
Crise, que crise? XI
Eu desisto, você venceu desta vez. Está difícil defender o governo Lula neste clima de caça às bruxas
Olá
Torre de marfim, um blog provocativo, destinado desde já à indiferença e ao opróbrio
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