Variações sobre o miolo mole
Uma vez o José Guilherme Merquior disse que o Caetano Veloso era um “pseudo-intelectual de miolo mole”. Lembro-me do Caetano, de forma incomum, comentar o epíteto com humorada auto-depreciação, e concordar com ele até certo ponto.
Na falta de melhores palavras, adoto o miolo mole para a descrição geral de um certo tipo de pensamento nacional
Miolo mole e Economia – Até o início da década de 90, o miolo mole na economia consistia em achar que inflação nada tinha a ver com o governo gastar o que não tem e com a economia estar aquecida. Portanto, controlar o déficit público e aumentar os juros eram considerados uma terapia inócua e estúpida para conter a escalada dos preços.
Resultado do miolo mole na economia: hiperinflação
Miolo mole e Crime – Os formadores de opinião e tomadores de decisão hegemônicos na área criminal – jornalistas, intelectuais, um ou outro puliça mais articulado, juízes, advogados, promotores, juristas em geral, políticos, governantes, etc – no Brasil seguem dois princípios básicos:
1) A intensidade de um fator nada tem a ver com a intensidade do seu efeito
2) Se alguma coisa tem duas importantes causas, “não adianta nada” atacar uma delas, porque a causa é a outra
Dois exemplos deste pensamento que nada têm a ver com crime, para começar:
1) Se eu quero aprender latim, tenho que ter aulas, mas tanto faz estudar uma hora por mês ou dez horas por semana
2) Se eu estou com o colesterol alto e resolvi me exercitar, “não adianta nada", porque a causa do colesterol é a alimentação
Dois exemplos deste pensamento em relação ao crime:
1) Se eu quero reduzir a taxa de assassinatos, eu devo prender os assassinos, mas tanto faz que a punição média seja cinco ou 50 anos
2) Tornar mais severas as punições ao crime “não adianta nada”, porque a causa do crime é a desigualdade social
Resultado do miolo mole no combate ao crime: Rio de Janeiro
Foram precisos uns 15 anos para que saíssemos da etapa de miolo mole total em Economia até um grau aceitável de superação de alguns problemas primitivos nesta área. Em combate ao crime, acho que estamos ainda na era Funaro, quiçá antes. Acho melhor vocês contratarem um guarda-costas e blindarem os seus carros
Na falta de melhores palavras, adoto o miolo mole para a descrição geral de um certo tipo de pensamento nacional
Miolo mole e Economia – Até o início da década de 90, o miolo mole na economia consistia em achar que inflação nada tinha a ver com o governo gastar o que não tem e com a economia estar aquecida. Portanto, controlar o déficit público e aumentar os juros eram considerados uma terapia inócua e estúpida para conter a escalada dos preços.
Resultado do miolo mole na economia: hiperinflação
Miolo mole e Crime – Os formadores de opinião e tomadores de decisão hegemônicos na área criminal – jornalistas, intelectuais, um ou outro puliça mais articulado, juízes, advogados, promotores, juristas em geral, políticos, governantes, etc – no Brasil seguem dois princípios básicos:
1) A intensidade de um fator nada tem a ver com a intensidade do seu efeito
2) Se alguma coisa tem duas importantes causas, “não adianta nada” atacar uma delas, porque a causa é a outra
Dois exemplos deste pensamento que nada têm a ver com crime, para começar:
1) Se eu quero aprender latim, tenho que ter aulas, mas tanto faz estudar uma hora por mês ou dez horas por semana
2) Se eu estou com o colesterol alto e resolvi me exercitar, “não adianta nada", porque a causa do colesterol é a alimentação
Dois exemplos deste pensamento em relação ao crime:
1) Se eu quero reduzir a taxa de assassinatos, eu devo prender os assassinos, mas tanto faz que a punição média seja cinco ou 50 anos
2) Tornar mais severas as punições ao crime “não adianta nada”, porque a causa do crime é a desigualdade social
Resultado do miolo mole no combate ao crime: Rio de Janeiro
Foram precisos uns 15 anos para que saíssemos da etapa de miolo mole total em Economia até um grau aceitável de superação de alguns problemas primitivos nesta área. Em combate ao crime, acho que estamos ainda na era Funaro, quiçá antes. Acho melhor vocês contratarem um guarda-costas e blindarem os seus carros



4 Comments:
Oh Lord..
Forçação, hein? Esse blog esta cada vez mais apelativo..
Número de assassinatos pode ate ter alguma relacao com a quantidade de pena, mas tem muito mais relacao com a impunidade, corrupcao, desigualdade social etc. Enfim um numero enorme de fatores!
Realmente combater 1 causa é uma forma ilusoria e nada eficiente de atacar qq problema que tenha origem minimamente complexa.
Isso sem falar que o problema "Rio de Janeiro" é algo BEM MAIS complicado.
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Marcela P., at 1:10 PM
Marcela, você disse: "combater 1 causa é uma forma ilusoria e nada eficiente de atacar qq problema que tenha origem minimamente complexa".
Eu digo: é melhor combater uma causa do que nenhuma causa de um problema
Eu digo: quase todos os problemas são complexos
Eu digo: todos os problemas têm causas
Eu digo: a única forma de resolver um problema é combater as suas causas
Tudo isto me parece de uma simplicidade pré-humana, mas, como a sua resposta demonstra, a sociedade brasileira resiste a certas verdades muito simples.
Então fiquemos com o crime
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F. Arranhaponte, at 1:48 PM
Fiquemos com o crime nao. Temos que combate-lo de maneira racional. Combater um causa isoladamente é nao resolver nada e ainda desmoralizar o poder publico. É dar forcas ao dito "poder paralelo", favorecer a corrupcao etc
Eu digo: Nao existe meio termo, ou se combate de forma eficiente, ou o estado estará fadado ao descredito e à decadencia.
Enfim, é a minha opniao. Inclusive eu acho que o problema do Brasil é exatamente o oposto do que vc disse: sempre se combate só um lado do problema, nunca de forma articulada.
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Marcela P., at 7:25 PM
Marcela, acho saudável debater o tema. Meu próximo argumento está no post acima
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F. Arranhaponte, at 8:04 PM
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