Minha experiência no mundo do teatro II
Eu confesso que, boçalóide que sou, vou muito pouco ao teatro. Lembro-me vagamente de ter sido arrastado a peças do Gerald Thomas, do Abujamra e do Antunes Filho, que me pareceram chatas e irrelevantes, ao ponto de, hoje, eu ser incapaz de me lembrar de qualquer cena ou fala. Pode parecer incrível, mas eu não me lembro nem da fumaça do Gerald Thomas e tenho dúvidas (juro!) sobre se já fui ou não a uma peça do Zé Celso.
Agora, só de pensar no assunto, uma coisa ou outra ressurge dos precipícios da memória inútil. Tinha uma mulher pelada na peça do Antunes que eu vi. Jovencito que eu era, e sendo a menina uma lourinha diáfana, foi uma experiência agradável (em que pese a saqueira de todo o resto do 'espetáculo', versando - súbito recordo - sobre Chapeuzinho Vermelho, esta inesgotável fonte de inspiração aos grandes gênios dramáticos da humanidade, a exigir sempre novas e revolucionárias releituras, que dêem conta da densidade quase que insuportavelmente metafísica do triângulo lobo-vovó-menininha).
A do Abujamra, se não me engano, era a Cláudia Abreu como Hamlet, e por mais que ela se esforçasse para dar à sua interpretação uma carga dramática à altura, eu fiquei pensando o tempo todo como tudo o que aquela carinha bonita conseguia era passar a impressão de uma colegial fofa e tão mais tesudinha quanto mais se esforçava - como boa aluna, que eventualmente até dá para o professor se achar que faz parte da sua missão - para cumprir aquela tarefa totalmente além da sua capacidade.
Bem, foi isto o que me ficou do teatro experimental brasileiro - uma que outra recordação levemente erótica de umas menininhas bonitas que achavam "importante para sua carreira" trabalhar com os monstros sagrados da nossa arte dramática. Tem coisas piores na vida
Agora, só de pensar no assunto, uma coisa ou outra ressurge dos precipícios da memória inútil. Tinha uma mulher pelada na peça do Antunes que eu vi. Jovencito que eu era, e sendo a menina uma lourinha diáfana, foi uma experiência agradável (em que pese a saqueira de todo o resto do 'espetáculo', versando - súbito recordo - sobre Chapeuzinho Vermelho, esta inesgotável fonte de inspiração aos grandes gênios dramáticos da humanidade, a exigir sempre novas e revolucionárias releituras, que dêem conta da densidade quase que insuportavelmente metafísica do triângulo lobo-vovó-menininha).
A do Abujamra, se não me engano, era a Cláudia Abreu como Hamlet, e por mais que ela se esforçasse para dar à sua interpretação uma carga dramática à altura, eu fiquei pensando o tempo todo como tudo o que aquela carinha bonita conseguia era passar a impressão de uma colegial fofa e tão mais tesudinha quanto mais se esforçava - como boa aluna, que eventualmente até dá para o professor se achar que faz parte da sua missão - para cumprir aquela tarefa totalmente além da sua capacidade.
Bem, foi isto o que me ficou do teatro experimental brasileiro - uma que outra recordação levemente erótica de umas menininhas bonitas que achavam "importante para sua carreira" trabalhar com os monstros sagrados da nossa arte dramática. Tem coisas piores na vida



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