Caetanos de batina II
Nos tempos em que eu tinha raiva da idiotice da nossa intelectualidade, e atribuía a ela parcela considerável da responsabilidade pelo nosso subdesenvolvimento - antes de entender que subdesenvolvimento e idiotice são a mesma coisa, e que se um está presente necessariamente encontrar-se-á também o outro; compreensão esta que tem me levado a uma visão progressivamente conformista, mística e serena do fenômeno -, os padres de esquerda eram um dos meus alvos preferenciais de ódio, por razões muito semelhantes às que você expôs: os comentários mais banais, previsíveis, pueris e equivocados invariavelmente vêm dos prelados que, alheios às agruras e recompensas da vida em família e no mercado capitalista, não têm a mais vaga noção da realidade que se manifesta a um centímetro dos seus focinhos intrometidos. Hoje em dia, confesso, a minha reação ao que disse ou deixou de dizer fulano de tal da CNBB é melhor expressa com uma frase de um personagem qualquer do Astérix (já não me lembro qual, talvez o chefe da tribo) depois de um dia em que tudo o que poderia dar errado assim o deu: "Estou sentindo um profundo cansaço mental"



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