Sábado, Fevereiro 11, 2006

A insuperável clareza dos nossos intelectuais

Fernando Gabeira, sobre o Haiti, na Folha:

Jamais pedi a retirada imediata das tropas porque sempre temi o efeito Ruanda. Procurei fazer uma leal oposição ao imenso passo que o Brasil deu, se jogando nesse processo. Como dizia Cazuza, o tempo não pára, o jogo não acabou. Tanto os intelectuais de Bush como os de Lula precisam confiar mais na cabeça. Freud, por exemplo, poderia ajudá-los na compreensão do processo histórico: o reprimido sempre reaparece no repressor. Aristide emergiu das urnas como uma chimére.Se não tivermos uma análise própria não só do Haiti, mas do mundo, vamos remendar os equívocos norte-americanos, como o golpe que derrubou Aristide, e vamos vagar pelas Américas como um zumbi, incansavelmente operoso.Na condenação à invasão do Iraque coincidi com o governo. Nessa aventura haitiana, mesmo reconhecendo a correção de nosso Exército, continuo achando o envio de tropas uma decisão precipitada. Depois do show cívico no intervalo eleitoral, vamos ao segundo tempo. Contra ou a favor, de certa forma, estarei sempre no mesmo barco. E la nave va.

A citação do Cazuza, particularmente, foi sublime



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