Delícias do modelo chinês
Muito se tem falado sobre a conveniência do Brasil adotar o modelo econômico chinês. Evidentemente, é desejável crescer a 9% ao ano, em vez de meros 4%. Sendo assim, proponho um sintético roteiro para esta necessária transformação sócio-econômica. Vocês notarão que eu não mencionei desvalorizar o câmbio e baixar os juros, que normalmente são tratados entre nós como tudo o que é preciso fazer para o nosso sino-upgrade. A razão é simples: estas medidas são notas de pé de página, comparadas à parte mais suculenta do modelo chinês, que ora lhes apresento:
O MODELO CHINÊS EM OITO PASSOS
(ou como crescer de forma indolor)
1) O exército invade favelas, bairros pobres e comunidades carentes em geral, e obriga 130 milhões de brasileiros a voltarem ao campo
2) São introduzidos passaportes internos, e proibida a livre migração dentro do país
3) Os 130 milhões são obrigados a adotar um estilo de vida baseado numa agricultura de subsistência com nível tecnológico feudal
4) Toda a legislação trabalhista é extinta. É introduzida a semana de trabalho de 7 dias, e a jornada de 14 horas
5) Cada vez que houver qualquer sintoma, por mais leve que seja, de agitação trabalhista nas cidades, o governo deixa que alguns milhões de camponeses furem os bloqueios legais e batam na porta das fábricas pedindo empregos
6) A partir daqui fica bom: fecha-se o Congresso, abolem-se os partidos e são introduzidos a pena de morte, a prisão perpétua e outros instrumentos necessários a esmagar qualquer contestação à nova ordem sócio-político-econômica.
7) Abole-se o instituto da aposentadoria em todos os níveis, seja no setor público ou privado (incentivo à poupança). Com as muitas dezenas de bilhões de reais desviadas dos velhinhos e cinqüentões sarados do calçadão de Copacabana, investe-se pesado em educação
8) Com todos os elementos acima, monta-se no Brasil uma máquina de exportação baseada em salários baixíssimos e trabalho semi-escravo de uma população com um nível de produtividade razoável.
P.S.: Não é necessário adotar o molho agridoce na nossa culinária
O MODELO CHINÊS EM OITO PASSOS
(ou como crescer de forma indolor)
1) O exército invade favelas, bairros pobres e comunidades carentes em geral, e obriga 130 milhões de brasileiros a voltarem ao campo
2) São introduzidos passaportes internos, e proibida a livre migração dentro do país
3) Os 130 milhões são obrigados a adotar um estilo de vida baseado numa agricultura de subsistência com nível tecnológico feudal
4) Toda a legislação trabalhista é extinta. É introduzida a semana de trabalho de 7 dias, e a jornada de 14 horas
5) Cada vez que houver qualquer sintoma, por mais leve que seja, de agitação trabalhista nas cidades, o governo deixa que alguns milhões de camponeses furem os bloqueios legais e batam na porta das fábricas pedindo empregos
6) A partir daqui fica bom: fecha-se o Congresso, abolem-se os partidos e são introduzidos a pena de morte, a prisão perpétua e outros instrumentos necessários a esmagar qualquer contestação à nova ordem sócio-político-econômica.
7) Abole-se o instituto da aposentadoria em todos os níveis, seja no setor público ou privado (incentivo à poupança). Com as muitas dezenas de bilhões de reais desviadas dos velhinhos e cinqüentões sarados do calçadão de Copacabana, investe-se pesado em educação
8) Com todos os elementos acima, monta-se no Brasil uma máquina de exportação baseada em salários baixíssimos e trabalho semi-escravo de uma população com um nível de produtividade razoável.
P.S.: Não é necessário adotar o molho agridoce na nossa culinária



2 Comments:
Olá,
Um amigo meu dizia que a China não resistiria a um bombardeio com exemplares de "Das Kapital".
abçs
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smart shade of blue, at 7:20 PM
Vamos precisar comer cachorros e espetinhos de gafanhotos?
By
Anônimo, at 2:05 PM
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